Pular para o conteúdo principal

Por que a Caloi T-Type e outras bicicletas de supermercado não são Mountain Bikes?

Autor:
Se você comprou uma T-Type, ou outra vendida nos magazines como MTB, para pedaladas esporádicas em ciclovias, parques e vias asfaltadas, nem precisa ler o resto dos tópicos. Agora, se você embarcou no conto da bicicleta de supermercado vendida como uma Mountain Bike (MTB), então preste atenção no tamanho do erro, pois atualmente até bikes de 500 pilas são propagandeadas como MTB, quando mal atingem o status de bicicleta de passeio.

Vou analisar especificamente a Caloi T-Type, porque comprei uma e durante um mês tentei usá-la em condições MTB, quando além de não atingir o objetivo, temi que o troço quebrasse em pouco tempo.

RENDIMENTO:
Traseira solta
O péssimo desenho do quadro (apesar de estiloso) deixa a roda traseira com tão somente 2 pontos de fixação, ao invés dos 4 pontos dos quadros tradicionais. Para comprovar o que eu falo e a reclamação constante de que a T-Type dança nas curvas, fixe a ponta do guidão contra uma parede, coloque a mão no pneu traseiro e faça um movimento rápido de vai e vem. A roda balança facilmente para os lados num movimento de torção. Ora, esse efeito além desestabilizar a trajetória em curvas, é mais um fator a drenar a energia do piloto.

Não desenvolve
Não sei exatamente porque a T-Type rende tão pouco em giro livre. Tem-se a impressão de que ela é trancada tanto nas descidas, quanto nos planos. Culpa dos cubos mal projetados?

Suspensão bem pobrinha, só 50 mm, e muito fraca
O site da Caloi fala em “Design e estilo para as pedaladas. Indicada para quem procura iniciar em trilhas, na terra e no asfalto”. Alguns vendedores falam em “trilhas leves e passeios”, outros falam em “uso recreativo”. Podem até funcionar para uso recreativo a suspensão Zoom a base de elastômeros, mas se você jogar essa suspa molenga contra terrenos esburacados, ela vai para o saco rapidinho.

Muito pesada
Uma parte da sensação de peso vem do “cockpit de aço”, ou seja, guidão, canote, carrinho do selim, tudo feito de aço. Ademais, os pedivelas também são de aço.

Ergonomia péssima (quadro curto)
Principalmente as pessoas de mais estatura se ressentem da posição do guidão, que fica muito próximo do selim, fator que dificulta a ação de alavanca dos braços nas subidas.

Movimento central rouba a energia da pedalada
A ficha técnica menciona “movimento central em três partes”. Ou seja, o principal “motor” transformador da energia circular das pedaladas em tração contínua, não é rolamentado e não é blindado, também não se constitui de uma peça única. O resultado é simples: por ser vazado, através das fendas pode entrar lama e poeira. Por não ser uma peça inteiriça, sofre torções que drenam uma parte da energia das pernas.

Conjunto ruim de relações
Cedo você acaba descobrindo que a T-Type não rende bem no plano, sofre como um diabo nas subidas e nas descidas consegue não consegue a desenvoltura desejável, tudo culpa das relações simplórias. Sua catraca de 7 velocidades de 14/24 dentes, e coroas de 24/34/42, ou seja, não atendem nenhum dos extremos: tração nas subidas e empuxo nas descidas.

Não aguenta pulos
Para uma suposta MTB, é algo surreal que as rodas entortem se o sujeito insistir em dar seus pulinhos, tudo culpa dos aros e raios descartáveis.

Pedais fabricados inteiramente em plástico, sem esferas, nem rolamentos
Nem brinquedos xingling têm pedais tão mequetrefes! Certamente, um pedal em que o plástico atrita diretamente contra o metal do eixo, rouba uma energia danada de cada pedalada. E logo, logo aparecem brutas folgas que obrigam a sua substituição.

Estalos e estalidos, tudo culpa da falta de rolamentos
É só você exigir da bichinha que começa a ouvir estalos. Normalmente eles são produzidos pela inexistência de rolamentos nessa bike. Caixa de direção, movimento central e os cubos das rodas são dotados de anéis de esferas que se movimentam sobre anéis de aço cônicos. A falta de rolamentos selados resulta em aparecimento de folgas que provocam os famosos estalos da T-Type. Se a carga embarcada (peso do piloto, roupas, equipamentos) supera os 75 kg, então os conjuntos de esferas não aguentam muito tempo. Há casos dessas junções saírem de fábrica praticamente sem lubrificação, aí o furo é mais em baixo.

SEGURANÇA:
Aros não projetados para freio V-Brake
Você nota que eles foram desenhados originalmente para disco quando percebe que as laterais são pintadas na mesma cor do quadro. Qual é o resultado das balacas friccionando contra as laterais? Naturalmente, em pouco tempo os aros ficam cheios de riscos.

Freios ineficientes
O fato comprovador de que desses aros não foram desenhados para sofrerem o atrito das balacas é que a largura das laterais é muito estreita. O resultado disso é pouca área de frenagem, o que faz com que nas descidas realmente fortes você nunca tenha total confiança no funcionamento, menos ainda se você e pesado.

Aros e raios muito fracos
Uma das grandes reclamações do time da T-Type são esses componentes que duram pouco tempo em virtude da sua fragilidade.

COMPONENTES:
Selim notoriamente ruim
9 entre cada 10 estrelas abandonam o selim de 10 reais na primeira pedalada, normalmente no testdrive da loja o sujeito já pede para trocar o famoso Selle Royal.

Pneus Levorin abaixo da crítica
A durabilidade deles é insanamente pequena, com apenas um mês de pedal os meus já estavam apresentando sérios sinais de desgaste.

Estrutura que só aguenta pesos-pena
O meu peso embarcado está em aproximadamente em 87 Kg, bastante além do que essa bicicleta aguenta. Só pilotos com carga máxima de uns 70, talvez75 Kg, podem se dar ao luxo de fazer a bike aguentar sem aparecerem os estalos.

Shimano que poderia ser chibata, tanto faz
Alardear "componentes Shimano" na propagada não significa nada, já que existe uma linha paupérrima da nobre linhagem Shimano justamente para atender as linhas de bicicletas de baixo valor agregado.

Postagens mais visitadas deste blog

Cubos com Rolamentos ou Esferas – qual é o melhor? Qual roda gira mais livre?

Autor:
A velha polêmica cessará algum dia? O certo é que as bikes mais sofisticadas (caras) vêm com os tais “sealed bearings” (rolamentos selados) e aquelas abaixo de 5k vêm equipadas com anéis de esferas alojados em cones (cup and cone hub). Então, aparentemente só há argumentos bons em relação aos rolamentos e merda em cima das esferas? Errado! O melhor então seria reformular a pergunta: qual é o melhor, um cubo com rolamentos mais ou menos ou um cubo de esferas/cone de alta qualidade?

Também é verdade que há por aí bikes meia boca com rolamentos chineses cujas rodas parece que giram com areia dentro.

Se é verdade é que as pessoas têm problemas nos dois mundos, então vamos colocar alguns argumentos que pesam do lado das rejeitadas esferas. Aliás, a minha GT Zaskar 27.5 Sport está na faixa de preço que não comporta rolamentos, mesmo assim as rodas giram com uma liberdade absurda! E ainda melhor, sem produzir ruído algum, digamos assim, o característico zunido dos rolame…

Galeria de selins sem nariz que salvam a vida sexual do(a) ciclista

Autor:
Os especialistas em saúde sexual masculina afirmam que os ciclistas se divide em 2 grupos: dos que estão impotentes sexuais e o dos que ficarão. E a explicação para essa tragédia é que os selins tradicionais jogam 25% do peso corporal sobre a região do períneo, onde ficam a próstata, a raiz do pênis, e artérias responsáveis pela irrigação do órgão sexual. Assim, uma atividade física, a princípio valiosíssima, pode vir a ser causa de problemas graves de saúde.

As mulheres também têm seus percalços, uma vez que sofrem dores devido à constante pressão exercida contra a sua genitália pelo bico dos selins tradicionais.

Homens com hipertrofia da próstata se encontram completamente alijados do ciclismo, se não buscarem soluções alternativas de assentos. Ciclistas que sofrem sensação de dormência depois de pedais longos devem abandonar inteiramente a concepção de que “ainda não se acostumaram” aos seus selins caros, bonitos e de marcas famosas. O corpo humano não foi feito…

A história da instalação do Kit Elétrico numa bicicleta para baixinhos

Autor:
Sabidamente as mulheres têm mais dificuldade para exercer força de longa duração, apesar da sua incrível resistência muscular. Logo, numa cidade serrana cheia de aclives e declives, transpor as barreiras do relevo é fator impeditivo para as mulheres desfrutarem dos efeitos benéficos da bicicleta.

A história da minha esposa começa desse jeito, da impossibilidade de ter uma bike por causa das subidas intransponíveis. Até que soubemos dos kits elétricos e o mecanismo de ajuda à força dos pedais, sem que a coisa toda se transforme numa motinho elétrica.

A escolha da bicicleta foi o primeiro drama, pois a pouca altura da Gladis inviabilizava o aro 26”. Então, decidimos por uma de aro 24”, que tinha de ser necessariamente algo que se aparentasse com uma mountain bike, devido ao relevo desgraçado daqui. Vimos uma oferta tentadora nas Americanas de uma Caloi Wild 24 e encomendamos.

Começava assim a história através da escolha da bicicleta, propositalmente equipada com quad…